Rumando para uma Sociedade Simples, Fácil e Carinhosa. (6)

6. Liberação da prisão que se chama ficção
transcendendo as amarrações mútuas – “isso é obvio” e “tem que fazer assim…”

Escrevi lá atrás assim: Os seres humanos com grande imaginação + criatividade não foram capazes de demonstrar suas habilidades para si próprios e para a sociedade, acontece isso porque têm profundas “ideias fixas”, ” pressupostos fixos” e “desistência”, não seria por isso? Eu gostaria de pensar um pouco mais sobre isso.

Yuval Noah Harari (historiador), autor de “The Complete History of Sapiens”, que se tornou tópico das conversas no Japão, disse: “É porque foi capaz de usar a ficção é que os seres humanos, que são muito fracos como indivíduos, puderam prosperar até dias de hoje”, ele chama isso “revolução cognitiva”. Em outras palavras, ao compartilhar a ficção, tornaram-se capazes que um grande número de pessoas possam colaborar e obter enormes poderes.

Enquanto chimpanzés e neandertais só podem colaborar com cerca de 150 estranhos, os seres humanos podem colaborar com um grande número de estranhos compartilhando ficção.

Ficção é algo que realmente não existe. Por exemplo, país, lei, direitos humanos, direitos, obrigações, responsabilidades, instituições, propriedade, dinheiro, religião …

Para colocá-lo um pouco mais familiar, dinheiro, promessas, horários, tempo, coisas que você tem que fazer, coisas que você não deve fazer, coisas que você deve fazer, é claro, coisas comuns, bom senso, coisas assim, pessoas e para baixo, etc. São todos ficção e realmente não existem.

O que exatamente significa compartilhar ficção? Por exemplo, o dinheiro. Suponhamos que você tenha uma nota de 10.000 ienes aqui e vamos tentar negociar com um chimpanzé: “Vou te dar uma nota de 10.000 ienes, vamos trocá-la pela sua banana”, ele não vai mostrar nenhum interesse. Para ele, é apenas um pedaço de papel. No entanto, assim que os humanos aceitam a ficção do dinheiro, de repente começa enxergar como algo valioso e começa usar como um material de troca.

Compartilhando a ficção de que existe um país, pessoas que nunca se conheceram podem apoiar a seleção japonesa com “Vai lá, Japão!”, assim os130 milhões de pessoas passam a conseguir colaborar uns com os outros, baseados num país chamado de Japão.

Foi a ficção que fez prosperar a humanidade, mas por outro lado, na sociedade atual, a ficção tornou-se absoluta e fixa, tornou se uma estrutura em que as pessoas passam a se submeter a ficções, restringindo o ser humano, separando as pessoas umas das outras, causando vários problemas humanos tornando se e causa de conflitos. “Movido por dinheiro”, “limitado por regras”, “perseguido pelo tempo” etc. são exemplos notáveis disso. Estar está preso à ficção que criada por ela mesma, esse é exatamente um estado de auto-escravidão. Podemos dizer que é um estado em que não consegue escapar da prisão que criada por ela mesma, não é?

Não se trata dizer que a ficção é o mal, que ela causa danos ou que seja algo que deva ser eliminada É uma característica humana poder colaborar compartilhando a ficção, por ser uma habilidade maravilhosa, penso que é necessário uma nova maneira de usar com inteligência, sem ser amarrada por ela (ver Capítulo 1, Seção 8).

Quando estamos a construir uma comunidade, ou quando estamos a empreender alguma atividade comercial seriamente, o relacionamento entre as pessoas se torna mais próximo. Então, começam várias amarrações mútuas, há casos em que acaba desenvolvendo em conflitos e confrontos.

Pelo contrário, pode criar acanhamentos e segregações. Por exemplo, “aquela pessoa diz que vai fazer mas não faz”, “aquela pessoa está de plantão mas não faz”, “aquela pessoa usa as ferramentas mas não as guarda”, “aquela pessoa não faz as coisas decidas junto com todos, faz à revelia a seu modo”… etc.

Pode haver pessoas que culpam outras por isso e podem ocorrer conflitos. Além disso, nos casos em que se preocupa com os olhares das pessoas e tenta se ajustar ao ambiente para não ser responsabilizado, à primeira vista parece estar sendo bem gerido e funcionando bem, mas não vai estar confortável, e as pessoas que estão fazendo aguentando a situação dando o seu melhor, tendem a ter emoções negativas às que não o fazem.

Isso acontece porque as ficções que amarram a si e aos outros, tais como “Se disser que vai fazer, deve fazer com responsabilidade”, “Se está de plantão, tem que fazê-lo” “Se você usar, você tem que limpar”, “Se é algo que foi decidido por todos, deve ser mantida”, foram inconscientemente formadas dentro de cada pessoa como sendo pressupostos fixos, como sendo o “senso comum” e “obviedades”. É um estado de obsessão com os próprios pensamentos, em que brotam as emoções negativas ou emoções de confronto com as pessoas que não faz ou não cumpre.

É fácil perceber como sendo seu, se você for o único com o pressuposto fixo, mas se todos os outros estiverem igualmente fixados, acabará caindo na ilusão, como se de fato existissem coisas que “Tem que ser assim”. “É obvio que seja assim”, “Como um ser humano, ele tem que agir desse jeito” , “Qualquer pessoa faz assim” …

Desse modo, vai culpando os outros e acaba em um estado de conflito e confronto, dizendo: “Está ruim porque não faz a coisa certa.” É assim que vai sendo construída a prisão pela ficção. A ficção que ficou fixada, destrói os relacionamentos na comunidade. Acaba acontecendo exatamente o oposto ao desejado.

Observando a situação atual em que o ser humano está preso à ficção que o próprio ser humano homem inventou, penso que podemos dizer que ele mesmo não sabe manejar o “pensamento do ser humano”. Em outras palavras, sem ser capaz de dominar suas habilidades maravilhosas, é um estado em que está sendo refém, ou seja, sendo dominado por estas próprias habilidades.

A partir desta perspectiva, encontrou-se um método para acionar plenamente estas habilidades, libertando das ficções criados pelo “pensamento do ser humano” que amarra a si e os outros. Esse é o Método Scienz que apresentamos na próxima seção.

E o vai acontecer, se não estivermos mais presos à ficção?
Ao ser liberto do mundo de “tem que ser assim” e “isso é o óbvio”, passamos a enxergar claramente que tanto em mim como na outra pessoa, existem as intenções, desejos e esperanças.

Penso que ao tentar transmitir mutuamente isso com sinceridade e também mutuamente tentar auscultar os desejos e as intensões do próximo, vai ser realizando o mundo da conversa mútua onde os corações transitam para os ambos os lados.

“Eu queria mesmo é que você fizesse”, “Meu desejo é esse”, “Eu quero que você guarde as ferramentas depois de usá-las.” , começa assim, enxergar os relacionamentos mais leve, solta e límpida, de pessoa com pessoa, sem pressão nem restrições, sem querer obrigar o outro a fazer, sem querer impedir o outro, sem querer culpar o outro.

Penso que a base para a construção da comunidade é a conversa mútua. (Consulte o Capítulo 2, Parágrafo 2). Penso que as trocas do coração sincero de dentro de si, sem ser troca que acontecem dentro das amarrações limitantes pela ficções solidificadas, vão se conectar a conversas mútuas e confortáveis e suaves.
(Continua)

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